Palmares, 17 de abril de 2024

A propósito de Mt 13: As parábolas do Reino dos Céus (I)

01 de agosto de 2019   .    Visualizações: 1142   .    Palavra do Bispo

Caro Irmão, gostaria de partilhar com você algumas meditações sobre um dos textos mais encantadores de todo o Evangelho. Trata-se do capítulo treze de São Mateus, que acabamos de escutar hoje, como leitura da Missa cotidiana. Aí Jesus diz o chamado “discurso das parábolas do Reino dos Céus”.

Se você observar, São Mateus, para mostrar que o nosso Salvador é o novo Moisés, resume a pregação de Jesus, nosso Senhor, em cinco discursos (como cinco são os livros da Torá, livros tradicionalmente atribuídos a Moisés):

o Discurso da Montanha (Mt 5-7),

o Discurso Apostólico (Mt 10),

o Discurso das Parábolas do Reino (Mt 13),

o Discurso sobre a Igreja (Mt 18)

e o Discurso Escatológico (Mt 24-25).

Observe que o centro é o Discurso das Parábolas do Reino, bem no meio dos cinco! É que o Reino dos Céus (ou Reino de Deus – Mateus usa “céus” porque evita escrever ou pronunciar a palavra “Deus” por respeito e temor reverencial) é o centro da pregação do Cristo Jesus. Pois bem, neste discurso Ele vai abrir o coração e nos revelar traços, lampejos do mistério do Reinado de Deus. Mateus reúne sete parábolas porque sete significa completude, perfeição…

Acompanhe o texto: “Naquele dia, saindo Jesus de casa, sentou-Se junto ao mar. Em torno Dele reuniu-se uma grande multidão. Por isso, entrou num barco e sentou-Se, enquanto a multidão estava em pé na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas”.

Observe bem a doçura, o encanto desta introdução. Jesus está em Cafarnaum, ao que tudo indica na casa de André e de Pedro. Saindo de casa, Ele foi à beira-mar e sentou-Se na praia… Imagine o Salvador tranquilamente sentado, contemplando o mar e o balanço da água, observando, pensativo o vai e vem dos barcos de pesca, fitando as montanhas do outro lado do mar, na Transjordânia, região da Decápole… Em que pensava? Em que se ocupavam Seus pensamentos? Qual era a sede do Seu Coração naquele dia, talvez naquele entardecer?

Sem que Ele percebesse, as pessoas foram se aproximando, foram cercando-O, sedentas da Palavra de Deus, mais que de pão… Elas queriam ouvir o Senhor, pois de Seus lábios saiam palavras do sabor de mel, com lampejos de infinito, com traços de Deus… Suas palavras enchiam o coração de paz, faziam quase que adivinhar o Coração de Deus – aquele Deus a Quem o nosso Salvador ousadamente chamava de Abbá-Pai…

Agora, já é tanta gente… Jesus levanta-se, entra num barco e pede que o empurrem um pouco, três, quatro metros talvez… Que cena tão bela: Ele abancado no barco e a multidão sentada – alguns em pé – escutando na praia… E o vento que vinha do mar trazia, com a aragem fria, as palavras do homem de Nazaré… E Jesus, sentado, como um Mestre, na barca, imagem da Igreja, contando-nos os segredos do Reino! – Fala, Senhor! Queremos Te escutar! Fala-nos do Reino que vieste trazer com a Tua santa Encarnação, com a Tua piedosa vinda…

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares

Fonte: https://visaocristadomhenrique.blogspot.com/2019/08/a-proposito-de-mt-13-as-parabolas-do.html?m=1