Palmares, 16 de abril de 2024

A Eucaristia – XIII

16 de junho de 2020   .    Visualizações: 824   .    Palavra do Bispo

Apresentamos alguns aspectos teológicos da Eucaristia. Vejamos, agora, a estrutura da Celebração eucarística, isto é, como se organiza, como se desenvolve a Celebração deste Sacrifício em forma ritual de Banquete.

Já vimos, num dos tópicos anteriores, São Justino descrevendo, no século II, a celebração. Os elementos básicos de então permanecem ainda hoje. Primeiramente, segundo antiga tradição, a Missa divide-se em duas grandes partes: a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística. Na primeira parte, a Palavra de Deus é proclamada e, na homilia, interpretada à luz do Cristo Jesus, de modo a iluminar a vida dos cristãos na sua situação concreta do dia-a-dia. Após a proclamação da Palavra, pelo Credo e a Oração dos fieis, respondemos ao Deus que nos falou. Assim termina a primeira parte da Celebração, toda ela centrada no ambão (a estante donde se faz as leituras e a homilia) – é a Mesa da Palavra!

A segunda parte da Eucaristia é a mais importante: a liturgia eucarística, cujo centro é o Altar, que simboliza o próprio Cristo Jesus, pedra angular da Igreja. Nesta parte da Missa, a Igreja torna presentes os quatro gestos de Jesus: Ele (1) tomou o pão, (2) deu graças, (3) partiu e (4) distribuiu, mandando que fizéssemos isso em Sua memória. Vejamos como estes quatro gestos se desenrolam na Celebração.

Jesus tomou o pão. Este gesto do Senhor é tornado presente na apresentação das ofertas ao Altar: pão, vinho e água, que simbolizam tudo quanto a criação e o nosso trabalho produzem e que, em nome de toda a criação, unidos ao Filho Jesus, oferecemos ao Pai na força do Espírito Santo. Nesse momento também, segundo antiquíssima tradição da Igreja, os membros da Comunidade dão suas esmolas: o que se trouxe para os pobres e para a manutenção da Casa de Deus e despesas da Comunidade paroquial.

Ele deu graças (quer dizer, Ele fez eucaristia = ação de graças). A Igreja torna presente este gesto do Senhor na grande Oração eucarística, que vai do prefácio da Missa até a doxologia (o “por Cristo, com Cristo, em Cristo”). Aí, ela recorda (faz memorial) ao Pai tudo quanto Cristo fez por nós. O celebrante, em nome de toda a Comunidade eclesial, pede ao Pai que derrame o Espírito do Cristo ressuscitado sobre o pão e o vinho para que eles, pelas palavras da consagração, cheias de Espírito Santo criador e recriador, sejam eucaristizados, transformando-se no Corpo e no Sangue do Ressuscitado – é a consagração. É importante observar que a narração da consagração não é feita à assembleia ali presente, mas ao Pai: é a Ele que a Igreja recorda tudo quanto o Senhor Jesus fez para nossa salvação, é diante Dele, Pai de Jesus e nosso Pai, que a Igreja celebra o memorial da Morte e Ressurreição de Cristo. É como se o celebrante dissesse: “Ó Pai, recorda-Te do Teu Filho Jesus. Ele, na noite em que foi entregue…” Em seguida, ainda na grande Oração Eucarística, o celebrante pede pela Igreja, pelos ministros sagrados e pelo inteiro Povo de Deus, pelos vivos e mortos, pelo mundo inteiro, crentes e descrentes, tudo isso ao Pai, por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo. E a Comunidade responde “Amém!”, deixando claro que a oração do celebrante foi oração de toda a Igreja. Nesta “Amém” que encerra a grande Oração exprime-se maravilhosamente o ministério sacerdotal, sacerdócio do Reino, de todo o Povo de Deus! Assim termina a grande Eucaristia (ação de graças), o segundo gesto do Cristo Jesus.

Aí, vem a preparação para a comunhão, com a oração do Pai-nosso. Depois, o celebrante faz memória do terceiro gesto de Cristo: Ele partiu o pão. Só aí – e não antes – é que o Pão consagrado deve ser fragmentado! Este gesto é muito importante, pois recorda o próprio Jesus nosso Senhor: os Seus discípulos o reconheceram ao partir o pão.

Realizado tudo isso, fazemos memória do último dos gestos que o Senhor nos mandou realizar: Ele deu aos Seus discípulos. É a comunhão eucarística no Corpo e no Sangue do Senhor. É o celebrante quem, em nome de Cristo, distribui a comunhão. Ele pode ser ajudado pelos ministros ordinários da comunhão (os padres concelebrantes e os diáconos) e pelos ministros extraordinários (os acólitos instituídos pelo Bispo e os outros ministros da comunhão daquela paróquia).

Pronto! Feito tudo isso em memória do Senhor, o sacerdote conclui com a oração final. Depois – e somente depois – vêm os avisos da Comunidade e o Povo recebe a bênção e é despedido. Como podemos ver, a Celebração eucarística é toda ela bíblica. Com o tempo, mudam os ritos secundários, o modo de celebrar, mas nunca a essência.

É importante observar ainda que os gestos, as palavras, os ritos, as vestes, as várias funções, tudo isso tem um significado e deve ser respeitado e bem preparado. A Eucaristia deve ser celebrada sempre num clima de respeito, de piedade e reverência. O missal, que traz o rito da Missa, deve ser seguido fielmente. Nem a comunidade nem o sacerdote que preside podem fazer alterações que desobedeçam as normas litúrgicas da Igreja ou deturpem o sentido da celebração e a sua estrutura fundamental. A Eucaristia não é propriedade do celebrante nem da comunidade, mas sim um dom concedido a toda a Igreja, para que o guarde com amor e fidelidade, respeito e devoção até que o Senhor venha.

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo de Palmares


Fonte: Visão Cristã