Palmares, 24 de maio de 2024

A Eucaristia IV

11 de junho de 2020   .    Visualizações: 502   .    Palavra do Bispo

No tópico passado, tivemos a oportunidade de constatar tantos textos do Novo Testamento que se referem à Eucaristia. Queremos, também no presente tópico, continuar apresentando textos bíblicos que têm sabor eucarístico.

A Tradição dos Apóstolos nos diz que Cristo desejou celebrar Sua Passagem deste mundo para o Pai numa Ceia eucarística em forma de banquete pascal: “Quando chegou a hora, Ele Se pôs à mesa com Seus apóstolos e disse-lhes: ‘Desejei ardentemente comer está Páscoa convosco antes de sofrer’” (Lc 22,14s). Para os judeus, a ceia era um acontecimento solene, sinal de comunhão, convivência e intimidade. Somente os que “con-vivem” e são amigos podem participar juntos de uma mesma mesa: partilha a mesa exprime e requer partilha a vida! A ceia, na Escritura Santa, é também sinal de alegria, de bênção: nela jorra o vinho que alegra o coração do homem (cf. Sl 104,15; Lc 15,23s). A ceia é ainda sinal de poder: um rei mostrava seu poder e grandeza pela duração dos banquetes que patrocinava (cf. Est 1,5). Quantas vezes, em tantos momentos importantes da Escritura, a ceia aparece e, com ela, o pão e o vinho! Recordemos alguns, mais significativos: “Ao voltar, depois da vitória contra Codorlaomor e os reis que com ele estavam, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma no vale de Save, que é o vale do rei. Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e, como sacerdote de Deus Altíssimo, abençoou Abrão, dizendo: ‘Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador do céu e da terra. Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos em tuas mãos’. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo” (Gn 14,17-20). Outro texto, é aquele de Ex 12,1-20, que nos apresenta o sacrifício e o banquete pascal. Um momento central na história de Israel! Um texto, também do Êxodo, ligado a este que citei, é 24,9-11: “Moisés subiu com Aarão, Nadab e Abiú e setenta anciãos de Israel, e eles viram o Deus de Israel. Debaixo dos pés havia uma espécie de pavimento de ladrilhos de safira, límpidos como o próprio céu. Ele não estendeu a mão contra os israelitas escolhidos; eles puderam contemplar a Deus e depois comeram e beberam”. Os líderes de Israel comeram na presença do Senhor: trata-se aqui de um sacrifício de comunhão, um sacrifício em forma de banquete! É como se Deus e o homem comessem à mesma mesa, participassem da mesma Vida! Pensemos ainda no dom do maná (cf. Ex 16) ou no belíssimo texto da ceia da Sabedoria (e sabemos que a Sabedoria de Deus é Cristo Jesus – cf. Lc 7,35; 1Cor 1,24). Vamos ao texto sobre a Sabedoria: “A Sabedoria construiu sua casa, talhou suas sete colunas. Matou suas reses e misturou seu vinho e pôs a mesa. Enviou suas criadas para fazerem o convite, dos pontos mais altos da cidade: ‘Quem for simples venha a mim!’ Ao insensato ela diz: ‘Vinde comer do meu pão e beber do vinho que misturei.  Deixai a insensatez e vivereis, segui o caminho da prudência!’” (Pr 9,1-6)Agora, voltemos ainda um pouco ao Novo Testamento: como foi afirmado no início do texto passado, Jesus, nosso Senhor, compara o Reino de Deus a um banquete (cf. Lc 25,6-8); por isso tantas vezes refere-Se a banquete de núpcias (cf. Mt 22,1-14), banquete no qual Ele mesmo nos servirá (cf. Lc 12,35-37) e do qual a humanidade toda haverá de participar um dia (cf. Lc 13,22-29). Segundo o Evangelho, é feliz quem tomar parte desse banquete (cf. Lc 14,15-24). Por isso mesmo, o Senhor Jesus iniciou Seus sinais num banquete nupcial (cf. Jo 2,1-12) e termina, no Apocalipse, batendo à nossa porta para cear conosco (cf. Ap 7,20).

Tudo isso são marcas da Eucaristia! Tudo isso conduz à Eucaristia! Ela é a ceia que nos torna presente o Sacrifício de Cristo que Se dá no pão e no vinho, ela é comunhão com o próprio Deus no Seu Filho Jesus, ela é antecipação do Banquete do fim dos tempos, ela é já um gostinho, uma pregustação da plenitude do Reino do Céu!

Vamos ainda continuar…

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo de Palmares


Fonte: Visão Cristã